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Como será a economia em 2020? Bolsonaro atrapalha ou ajuda? E as eleições?

César Esperandio

17/01/2020 04h00

Há muita coisa acontecendo no Brasil e no mundo! E como será que isso vai impactar a nossa vida, nossa carreira e nossos investimentos?

Hoje, o economista do EconoweekCésar Esperandio, vai comentar o que devemos ficar de olho em 2020, incluindo:

  • O que vem depois da reforma da previdência?
  • Bolsonaro vai ajudar ou atrapalhar a recuperação da economia?
  • O que esperar das eleições municipais?
  • O que esperar das eleições dos EUA?
  • O que os economistas estão falando de 2020 e dos investimentos?

 

Da última vez que conversamos por aqui, falamos de quatro técnicas para conseguir salários mais altos, seja no seu emprego atual ou em um novo local de trabalho. Vale a pena checar!

 

1. O que vem depois da reforma da previdência?

A reforma da previdência foi aprovada e ajudou a não levarmos as contas públicas para um nível explosivo.

Mas ela não resolveu todos os problemas.

No Brasil, temos uma característica de que a maior parte dos gastos públicos, que são as contas que o governo tem que pagar, são gastos obrigatórios constitucionalmente.

Ou seja, de acordo com a Constituição Federal, a mãe de todas as leis, somos obrigados a pagar essa conta, não importa o que aconteça.

Boa parte dos gastos obrigatórios é de folha de pagamento de servidores.

Numa empresa privada há mecanismos de ajustes, e quando há uma crise e as vendas caem, há a possibilidade de demitir, contratar pessoas com salário mais baixo, reduzir jornada, etc.

No governo, isso é praticamente impossível de acontecer.

Não somos partidários do discurso fácil de que servidor público é ineficiente e tem que ser demitido, mas alguma coisa tem que ser feita nessa direção.

Já há propostas de mudança na constituição, que abarcam outros temas que tocam os gastos obrigatórios além de despesa com pessoal.

Essa deve ser uma das reformas mais importantes que serão discutidas em 2020, com impacto direto na saúde das contas públicas e no ambiente de negócios e investimentos, consequentemente.

 

2. Bolsonaro vai atrapalhar ou ajudar a economia?

Estabilidade econômica nunca foi uma das virtudes do Brasil.

Por aqui, houve ano com inflação alta, depois baixa, depois alta de novo. Um ano com crescimento do PIB, mas no seguinte, recessão econômica. Impeachment, brigas políticas. Juro alto, juro baixo, juro alto de novo. A gente está acostumado, infelizmente, com os altos e baixos na economia.

Pela primeira vez, há perto de um consenso de que a inflação e os juros deverão continuar baixos por período prolongado, com crescimento do PIB constante, embora ainda bastante modesto.

Há diversas razões para essa confiança, mas temos um elemento extra que tem trazido instabilidade, por mais bem-intencionado que possa ser: o nosso presidente da República, Jair Bolsonaro.

Com temperamento difícil e constantes atritos políticos, há sempre um temor de que o clima político pode desandar, com reflexos também para a economia.

Apesar dos avanços econômicos, a política, começando por Bolsonaro, continuará sendo uma coisa para ficarmos de olho em 2020.

 

3. Eleições para prefeito

Nesse ano, teremos eleições municipais, onde vamos escolher prefeitos e vereadores.

Eu, César Esperandio, trabalhei em departamentos macroeconômicos de bancos e consultorias por mais de dez anos, e as eleições sempre estiveram no radar dos investidores.

Nas últimas eleições, uma coisa surpreendeu até aos mais experientes. A ascensão de políticos não tradicionais, como é o caso do Dória, que foi prefeito de São Paulo e hoje é Governador do Estado, além de vários outros exemplos.

O João Dória entrou na política muito recentemente. Tendo construído a sua carreira como empresário.

O próprio Bolsonaro, apesar de estar na política há muitos anos, também foi uma grande surpresa na eleição presidencial por não contar com grande tempo de TV e nem expressiva verba de campanha e, mesmo assim, ter sido eleito.

Isso era algo impensável há algumas eleições.

Para 2020, outras surpresas poderão surgir. Mas ninguém poderá ficar tão surpreendido assim.

 

4. Eleição dos EUA

2020 também é ano de eleição nos Estados Unidos, mas por lá será escolhido um novo presidente americano.

A economia vai bem, mas há chances de recessão.

Nós temos um conteúdo dando dicas de como se preparar caso tenha uma crise vinda dos EUA, já que a maioria dos economistas americanos aposta que isso deve acontecer.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passa por uma turbulência política, com pedido de impeachment, que tem baixas chances de sucesso.

Trump tem grande chance de se reeleger, mas as eleições americanas costumam ser muito equilibradas e tudo pode acontecer.

Com a escolha de presidente da maior economia do mundo, os impactos para outros países e para os nossos investimentos são imediatos.

Esse é um importante evento para ficar de olho nesse ano.

 

5. O que os economistas estão falando de 2020?

Para os grandes números da economia, o Boletim Focus, do Banco Central, que reúne as projeções dos maiores economistas do Brasil, vamos comentar sobre a inflação, PIB, dólar e juros.

O crescimento do PIB, que representa a recuperação econômica, ser de 2,3%. É praticamente o dobro do que deve ser o PIB de 2019, que ainda não foi divulgado, mas ainda assim representa um crescimento vagaroso, que não repõe a queda que tivemos durante a crise.

O dólar, deverá encerrar em nível parecido: ao redor de R$ 4,04.

A inflação, medida pelo IPCA, deverá ficar ainda mais baixa que a de 2019: ao redor de 3,58%.

A Selic, que baliza todas as demais taxas de juros, deverá continuar no mesmo nível atual de 4,5% ao ano, o menor da história.

 

6. Conclusão

A conclusão é que, na minha opinião, 2020 deverá ser um ano melhor que 2019.

Do ponto de vista dos investimentos, teremos que nos acostumar com juros baixos, o que é boa oportunidade para aprendermos sobre renda variável e investimentos em ações, por exemplo, para buscarmos melhores rentabilidades para as nossas carteiras.

Nós, do Econoweek, temos um conteúdo contando quatro dicas práticas para economizar e investir mais e melhor em 2020.

Eu comentei os principais eventos para ficarmos de olho nesse ano, mas há outras coisas importantes.

 

O que mais você diria que vale a pena botarmos no radar?

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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Sobre os Autores

César Esperandio: economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

Yolanda Fordelone: economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

Sobre o Blog

O Econoweek é um blog escrito por dois economistas que querem traduzir a economia, as finanças e o dinheiro.

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