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Renegociar financiamento do imóvel pode te dar uma economia de R$ 400 mil

César Esperandio

11/03/2020 04h00

Com a queda da taxa de juros e a Selic no menor patamar histórico, de 4,25% ao ano, ficou mais fácil e barato financiar o imóvel próprio.

O que muitos não sabem é que aqueles que vem amargando juros altos de contratos antigos têm o direito de renegociar seu financiamento e ter economia substancial.

Esse fato foi possibilitado pela portabilidade bancária, que além de permitir a portabilidade da conta-salário, também permite a migração de todas as linhas de crédito, inclusive o financiamento imobiliário.

Hoje, César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia e do dinheiro, vai explicar como negociar uma redução de taxa do seu financiamento imobiliário, além de mostrar o tamanho da economia, que pode ir de R$ 400 mil, podendo chegar a mais de R$ 4 milhões, se o dinheiro for investido.

Eu fiz as contas e mostrei vários tipos de investimentos com essa economia: na poupança, na renda fixa, na Bolsa e em fintechs de investimentos.

 

Por que pedir portabilidade?

A migração, através da portabilidade, é, em geral, mais vantajosa quando se trata de modalidades de crédito com prazos longos, como o empréstimo imobiliário.

Só em novembro de 2019, quando a taxa Selic ainda estava em 4,5%, o Banco Central reportou 486.959 pedidos de portabilidade efetivados, o maior valor em três anos.

Não é por acaso esse número de migrações. A média das taxas cobradas em novos financiamentos imobiliários está em 7% ao ano. Há cinco anos, a média era de 11%.

Pode parecer uma diferença pequena, mas, para financiamentos longos, a diferença é muito significativa.

A migração, ou renegociação das taxas do financiamento imobiliário, proporcionam a melhora das condições e consequente redução das parcelas.

Em alguns casos, a despesa financeira pode ser cortada pela metade.

 

Qual é o tamanho da economia?

Em um financiamento imobiliário de R$ 450 mil feito há dois anos, com prazo de 35 anos, a uma taxa de 11% ao ano, pela tabela Price, possui uma prestação de R$ 4.020,74, considerando apenas os juros (sem considerar as taxas, seguros etc.).

Se fosse feita a portabilidade desse financiamento imobiliário para um banco que ofereça taxa de 7% ao ano, o valor da parcela cairia para R$ 2.824,54, uma diferença de R$ 1.196,20 por mês.

Essa queda de 29,75% no valor da prestação geraria uma economia total de R$473.695 nos 33 anos restantes do financiamento, sem considerar nenhum investimento.

 

E se você investisse a diferença?

Se, desse valor economizado, você investisse R$ 1.000 por mês, por 396 meses (período restante do financiamento), na poupança, chegaria ao final dos 33 anos com R$ 666.876, considerando os juros atuais.

Repare que investindo mensalmente R$ 1.000, ainda sobraria R$ 196 todo mês para você fazer o que quiser.

Mas todos nós sabemos que a poupança tem o pior rendimento atual, perdendo até para a inflação.

Já que estamos falando de longo prazo, ao considerar que investiríamos esse valor em um título de renda fixa privada, como um CDB, que rendesse 120% do CDI, nesses mesmos 33 anos, teríamos R$ 846.036, já descontado o imposto de renda (I.R.).

O Ibovespa mostrou que a Bolsa teve crescimento de 31,58% em 2019. Porém, como em outros anos houve altas até maiores (+97% em 2003), embora também houve quedas que assustariam muitos dos que não são amantes do risco (-41% em 2008), chegamos a um crescimento médio de 14,66% ao ano entre 2000 e 2019.

Considerando esse rendimento, com aportes mensais de R$ 1.000, já descontado o imposto de renda, o valor ao final do mesmo período chegaria a R$ 4.799.670.

Falando em ações, nós já falamos sobre os quatro mandamentos para ganhar mais dinheiro com ações. Vale a pena saber disso!

Em comparação, investindo pela CapRate, fintech de investimento P2P, que oferece um investimento similar à renda fixa, sem os altos e baixos da Bolsa (porém com a mesma necessidade de diversificação para diminuir a chance de inadimplência), considerando uma taxa atual de um de seus produtos de 1,023% ao mês, é possível chegar ao final dos 33 anos com um montante de 3.502.330, já descontado o I.R..

 

Como pedir a portabilidade?

Para pedir a portabilidade do financiamento do imóvel, o primeiro passo é pesquisar em outros bancos e instituições financeiras as taxas e outros encargos cobrados.

O ideal é falar com essas instituições para verificarem o seu caso especificamente, mas no site do Banco Central há as taxas de financiamento imobiliário de cada banco.

Ao encontrar a melhor taxa e fornecer os documentos necessários, o banco que você escolheu cuidará do resto.

Assim, seu banco anterior receberá a solicitação de portabilidade e ainda poderá fazer uma contraproposta, reduzindo a taxa do seu financiamento imobiliário.

A decisão de aceitar será sua. Mas a economia já estará garantida!

Se você gostou desse tema, também irá se interessar por esses quatro passos para atingir a liberdade financeira. Não deixe de verificar!

 

Você já pensou em pedir portabilidade do seu financiamento imobiliário ou de outro crédito tomado?

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os Autores

César Esperandio: economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

Yolanda Fordelone: economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

Sobre o Blog

O Econoweek é um blog escrito por dois economistas que querem traduzir a economia, as finanças e o dinheiro.

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