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Como vendi meu carro e juntei R$ 100 mil sem ficar a pé

César Esperandio

03/03/2020 04h00

Eu vendi meu carro há muito tempo porque deixou de fazer sentido manter os gastos de um automóvel em uma cidade como São Paulo, onde há muitas opções de transporte para todos lugares e onde manter o carro é tão caro.

Só para alugar uma vaga aqui na região da Avenida Paulista, onde eu trabalho, eu desembolsava R$ 400 por mês, além de R$ 200 por uma vaga extra no outro bairro onde moro, já que meus pais já usavam a vaga do apartamento.

Aos finais de semana, eu já usava muito Uber para sair com os amigos e tomar uma cerveja.

Para essas viagens curtas, o app de transporte caía muito bem. Mas eu ainda sentia falta de uma solução para situações que só um carro resolve, fazer compras maiores no supermercado, passear com o meu cachorro e, no meu caso, principalmente na hora de ir à praia surfar. Foi aí que encontrei a Turbi, um aplicativo de locação de carros por hora.

Outra solução inovadora alternativa é a Rentcars, uma espécie de shopping online de locadoras de veículos.

Além disso, utilizo massivamente o bom e velho Metrô de São Paulo, além da Bike Itaú, um serviço de aluguel de bicicletas por dia ou ainda até anual.

Hoje, eu, César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia e do dinheiro, vou mostrar quais foram as soluções de mobilidade que eu tomei, tanto para andar dentro da cidade de São Paulo, como para viajar.

A economia chega a R$ 15 mil por ano, podendo passar de R$ 100 mil em seis anos, sem perder nenhuma comodidade. Vou mostrar as contas e ainda apresentar as minhas soluções de transporte.

 

Como eu me viro sem carro em São Paulo

Hoje, utilizo basicamente o Metrô de São Paulo, a Bike Itaú, Ubera Turbi e, ocasionalmente, a Rentcars.

Dou preferência para ir de Metrô onde posso, já que é o meio de transporte mais barato. A Bike Itaú eu uso para pequenos trajetos e para dar uma corridinha no parque. Sempre estou pela região da Av. Paulista, onde acabo tendo bastante disponibilidade e infraestrutura para andar de bicicleta.

O Uber eu gosto de usar para ir a reuniões sem chegar transpirando e a Turbi eu uso para matar a necessidade de ter um carro, como surfar e resolver várias coisas no mesmo dia, como ir ao supermercado.

Metrô, Bike Itaú e Uber todo mundo conhece. Entretanto, a peça do quebra-cabeça que faltava para conseguir viver bem sem carro e economizar foi a Turbi, um novo serviço de aluguel de carros por aplicativos.

A Rentcars oferece um serviço de aluguel de carros muito parecido com sites de buscas de hospedagem, como Hoteis.com e Trivago, onde são listadas as possibilidades de alugueis de veículos por categoria, localidade, data e classificação de preços, deixando muito mais fácil escolher a melhor oportunidade.

Enquanto a Turbi ainda oferece seu serviço apenas em São Paulo e há a necessidade de devolução do veículo no mesmo ponto de retirada, a Rentcars possibilita a localização de carros por todo o Brasil, podendo devolver em diferentes localidades, dependendo da regra da locadora.

Na Turbi, há a vantagem de alugar o carro por hora e fazer coisas do dia a dia com ele, como ir ao supermercado, cartório ou levar o Tico (meu cachorro) para o veterinário. Às vezes, você precisa do carro, mas não necessariamente precisa alugá-lo um dia inteiro.

Os carros ficam em estacionamentos 24 horas e você pode alugar por hora de uso ou por pacote de horas, que vai ficando bem mais barato.

Para usar o carro, é só destravar via aplicativo e pegar a chave no porta-luvas, tudo sozinho.

Na prática, os aluguéis partem de R$ 10 por hora. Mas, eu, quase sempre, uso o pacote de 12 horas, que geralmente custa metade do valor, por R$ 60, mais R$ 0,50 por quilômetro rodado. Ah, e não é cobrado nada de combustível.

Essa é a solução ideal para as minhas viagens para a praia, quando vou surfar.

Eu normalmente alugo uma SUV Mitsubishi ASX para caber a prancha dentro do carro.

Por 12 horas de uso, incluindo gasolina e pedágio (que é cobrado via aplicativo, já que todos os carros têm ConectCar), de São Paulo ao Guarujá ou Bertioga, a conta sai por menos de R$ 200.

Eu divido esse valor com mais dois amigos (cabem no máximo três pessoas com as pranchas dentro do carro) e isso dá R$ 67 por pessoa. Como surfamos umas duas vezes por mês, o gasto mensal de cada um com o aplicativo da Turbi é de uns R$ 133.

E ainda uso de vez em quando para levar coisas grandes para os amigos em viagens mais rápidas, ou quando saio com o meu cachorro, já que há um kit de forração e limpeza para pets no porta-malas. Nesses casos, as viagens ficam entre R$ 20 e R$ 40 já com tudo incluso: gasolina, seguro e lavagem.

Usando todas essas opções e nunca ficando na mão, meus gastos, por mês e por ano, são:

  • Metrô: no máximo R$ 264 por mês e R$ 3.168 por ano;
  • Bike Itaú: R$ 160 por ano, equivalente a R$ 13,33 por mês;
  • Uber: R$ 200 por mês, somando R$ 2.400 por ano;
  • Turbi: R$ 133 por mês, ou R$ 1.600 por ano.

A soma disso tudo é de R$ 611 por mês, atingindo R$ 7.328 por ano.

Parece muito? É porque você ainda não viu o quanto eu gastava quando tinha carro!

 

Quanto custa manter um carro?

Eu tinha um carro que valia uns R$ 35 mil.

Todo mês, eu gastava:

  • R$ 400 de estacionamento próximo ao trabalho, na Avenida Paulista;
  • R$ 200 de estacionamento em casa;
  • R$ 80 de estacionamento em passeios aos finais de semana;
  • R$ 400 de combustível;
  • R$ 50 para lavar o carro;
  • R$ 2.000 por ano com reparos e manutenções periódicas, equivalente a R$ 167 por mês;
  • R$ 2.500 de seguro por ano, o que significava R$ 208 por mês;
  • R$ 1.040 de IPVA no último ano, equivalente a R$ 87 mensais;

Somando tudo, meu gasto chegava a R$ 1.592 por mês. No ano, eu gastava R$ 19.100 só para manter meu carro.

Mas há uma coisa que quase ninguém leva em conta: a depreciação do carro, que é de, em média, 10% por ano.

Assim, meu carro de R$ 35.000 passou a valer R$ 3.500 a menos depois de um ano, avaliado em R$ 31.500.

Já que na hora de vender, eu perdi esse dinheiro, nada mais justo do que também considerar isso um gasto. À rigor, é de fato uma despesa.

Somando todos os gastos, eu tinha que desembolsar R$ 22.600 por ano, apenas para manter o carro.

Dividindo esse valor por 12, meu custo mensal com o veículo era de R$ 1.883.

Poxa! Esse é o valor de um aluguel de um imóvel em uma região bacana de São Paulo.

O meu carro estava quitado. Mas, muita gente paga parcelas do financiamento do veículo, podendo levar esse gasto ainda mais para cima.

Se é essa a sua situação, some a esse valor a parcela do seu veículo e saberá qual é, aproximadamente, o seu custo total.

Se você, assim como eu, acha que está gastando muito, uma dica é começar repensando alguns gastos e nós já apresentamos por aqui o Método Detox Financeiro, que mostra como cortar quatro gastos que não falta e economizar R$ 1.200 por ano.

 

Valor economizado sem carro

Atualmente, eu gasto R$ 1.273 a menos por mês do que quando tinha um carro.

No ano, a economia é de R$ 15.272, sendo que antes eu gastava mais que o triplo.

Com esse dinheiro, dá para fazer muita coisa, inclusive investir.

Em uma continha de padaria, no pior investimento de hoje, que paga uns 3,5% ao ano, essa economia anual renderia mais de R$ 100 mil em seis anos.

Há investimentos ainda melhores, como as ações. Nós já falamos sobre os quatro mandamentos para ganhar mais dinheiro com ações. Vale a pena saber disso!

 

Outras vantagens de não ter carro

Quando me dei conta do tamanho desse gasto, também percebi o tempo que eu passava sem fazer nada dentro do carro.

Quem conhece o trânsito de São Paulo, sabe que é muito comum gastar entre uma hora e uma hora e meia para ir ao trabalho, mais o mesmo tempo para voltar.

Nesse tempo, eu poderia estudar, responder e-mails pelo celular, ler um livro, assistir a uma série ou até jogar Free Fire, o que deixa o trajeto bem mais produtivo do que dirigir todo dia.

Por fim, eu realmente vendi meu carro. Claro que demorei um pouco para tomar essa decisão e fui testando as alternativas aos poucos. Até que chegou a hora que decidi me desfazer de uma vez e passei a me locomover de Metrô, Bike Itaú, Uber e Turbi, como descrevi.

 

Se dinheiro não fosse problema para você, que não é o meu caso, você preferiria ter um carro próprio, andar de carro alugado (sem se preocupar nunca mais com manutenção), ou andar de motorista particular.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os Autores

César Esperandio: economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

Yolanda Fordelone: economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

Sobre o Blog

O Econoweek é um blog escrito por dois economistas que querem traduzir a economia, as finanças e o dinheiro.