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Selic em baixa: veja como ganhar dinheiro emprestando a outros legalmente

César Esperandio

07/02/2020 04h00

A maioria de nós, brasileiros, costumamos investir em renda fixa. Se perguntar para os amigos e parentes, muitos dos que investem dirão que têm pelo menos algum valor investido algo ligado ao CDI ou no Tesouro Direto.

Mas, com os juros cada vez mais baixos, cada vez mais se fala que a renda fixa morreu.

Hoje, César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia e do dinheiro, vai mostrar se ainda há investimentos em renda fixa que valem a pena e apresentar algumas fintechs que são alternativas interessantes para os investimentos.

 

A renda fixa ainda vale a pena?

Em 2015, fazia bastante sentido investir seu dinheiro em algo ligado ao CDI, já que em menos de cinco anos você conseguiria dobrar seu capital.

O CDI é uma taxa que ser e de parâmetro para muitos investimentos em renda fia. Na prática, fica muito próximo à taxa básica de juros da economia, a Selic.

Em cinco anos, muita coisa mudou e hoje aplicar em renda fixa atrelada ao CDI já não faz mais tanto sentido. À uma taxa de juros básico de 4,25% ao ano, atual nível da Selic, você levaria mais de 13 anos para duplicar seu capital.

Essas estimativas levam em conta que sua aplicação esteja rendendo a 100% do CDI, prática não muito comum para grandes bancos tradicionais.

Hoje, as melhores alternativas para que se receba mais de 100% do CDI têm sido as fintechs.

Você provavelmente já ouviu falar de algumas dessas fintechs, como o Nubank, o primeiro decacórnio (empresa avaliada em mais de U$$ 10 bilhões) brasileiro, ou a PicPay, com mais de 13,4 milhões de usuários, e o Neon, que recebeu investimento de R$ 400 milhões no fim de 2019.

Os popularmente chamados de bancos digitais costumam oferecer maior rentabilidade e tarifas menores (ou até mesmo tarifa zero). Enquanto a maioria dos bancos tradicionais ainda cobram para fazer uma simples transferência (sem contar as filas), as fintechs frequentemente propõem taxas zeradas para esse tipo de transação. E tudo através do seu smartphone – sem filas.

Apesar da clara vantagem das fintechs em relação ao preço dos serviços comparado aos dos bancos tradicionais, o investimento com rentabilidade de 100% do CDI não é suficiente para fazer seu dinheiro multiplicar e, consequentemente, aumentar seu patrimônio.

Deixar o dinheiro na poupança é menos interessante ainda, devido à inflação e seu potencial de desvalorizar o seu capital ao diminuir o poder de compra do seu dinheiro investido.

 

Há alternativa para ganhar dinheiro com renda fixa?

O investidor deve estar atento aos investimentos em renda fixa que não são mais tão vantajosos.

Nessa calculadora de rentabilidade, é possível fazer comparações entre as opções de renda fixa.

Projeções do mercado estimam que a Selic se manterá em 4,25% ao final de 2020. Dessa maneira, alguns títulos populares de renda fixa podem ter, descontada a inflação, uma rentabilidade real negativa no ano.

Em outras palavras, o investidor pode ter a rentabilidade de suas aplicações zeradas ou, até mesmo, ter parte de seu patrimônio investido atingido – conceito de rentabilidade real negativa.

Com a taxa CDI em 4,25% e inflação de 3,40%, segundo projeção do relatório Focus mais recente na data de publicação desse texto, o juro real será de 0,82%.

Considerando este cenário, descontando as taxas cabíveis, Imposto de Renda e a inflação do período, um título do Tesouro Selic teria um ganho bem menor: de 0,59% ao ano. A poupança, descontada a inflação, teria perda real de 0,41%.

O fato de o Brasil estar com sua economia estabilizada, não havendo grandes indicativos de que a taxa Selic terá grandes alterações no futuro próximo, desencoraja aplicações que estejam atreladas à essa taxa.

Dessa maneira, a rentabilidade do CDI não deve ter mudanças significativas, exigindo que o investidor busque alternativas, como as fintechs, que são mais arriscadas, porém mais rentáveis, para compor sua carteira de investimentos.

Apesar de os investimentos de risco, sem rentabilidade pré-fixada, serem interessantes ao investidor com perfil mais arrojado, é primordial que parte dos seus investimentos estejam alocados em aplicações de renda fixa.

Investir nesse tipo de aplicação proporciona um nível maior de segurança ao seu patrimônio.

Então, há alternativas para investir em renda fixa?

 

A renda fixa morreu?

A verdade é que a renda fixa não morreu. O que mudou foi a facilidade de obter uma opção rentável.

Investir antes era algo possível através do banco tradicional, que o brasileiro já estava acostumado. Hoje requer um pouco mais de pesquisa para encontrar alternativas e, para rentabilidades ainda maiores, algum nível de risco.

 

Empréstimos como forma de ganhar dinheiro?

Algumas plataformas prometem ganhos com empréstimos a empresas, pessoas ou incorporadoras. Veja a seguir como funcionam alguns exemplos e quais os riscos:

Com a promessa de gerar rentabilidades acima de 100% do CDI, a Nexoos é uma plataforma de empréstimo às empresas, prometendo rentabilidade mediana de 18% ao ano, conforme divulgado pela própria Nexoos, e dependente de uma carteira devidamente diversificada. O funcionamento, do ponto de vista prático, é parecido com a renda fixa: você investe e acaba emprestando seu dinheiro a alguém, no caso a empresas.

Todo mundo sai ganhando: o investidor ganha investindo a uma taxa maior e os pequenos negócios que antes estavam restritos a opções dos bancos passam a ter acesso a taxa de juros acessível.

Porém, há um risco neste tipo de investimento. Conforme dados da própria Nexoos, uma carteira diversificada tem uma inadimplência média de 9,1%. Mas se você não montar bem o seu portfólio, esse tipo de investimento pode fazer você até mesmo perder parte do seu capital.

Além do empréstimo a empresas, as plataformas de empréstimo de pessoa para pessoa são uma alternativa, como o da Mutual, onde a rentabilidade esperada pode chegar a 216% do CDI, porém com alto risco.

Esta é, dentre as alternativas, a mais rentável e a com maior risco. A inadimplência tem níveis elevados, podendo chegar a 19,4%, segundo dados divulgados pela Mutual.

Para os mais bem classificados na plataforma, a média de inadimplência fica em 10,6%, sendo um investimento arriscado para investidores que não diversificam significativamente sua carteira.

Há ainda um terceiro modelo, que é o de empréstimo a incorporadoras. Estes, na nossa visão, apresentam um nível de segurança um pouco maior, pois trabalham com empresas que utilizam o empréstimo para construir seus empreendimentos.

Nesta modalidade, podemos citar a CapRate. Diferente dos outros modelos, a ideia é financiar continuamente o mesmo projeto, visto que cada desenvolvimento leva em média quatro anos, do início ao fim do empreendimento.

E a plataforma acompanha o desenvolvimento ao longo de todos os meses, trazendo um acompanhamento contínuo do valor investido.

Desta maneira, segundo dados informados pela empresa, a CapRate tem 0% de inadimplência na plataforma e proporciona rendimentos de até 300% do CDI, aproximadamente 13% ao ano.

A plataforma oferece esta planilha para acompanhar seus investimentos em renda fixa.

Como sempre, a diversificação do portfólio continua sendo o melhor conselho ao investidor.

Possuir uma carteira com investimentos de alto, médio e baixo riscos, é uma maneira de obter rentabilidades maiores em aplicações com risco maior – como as da Nexoos e Mutual, enquanto plataformas como a CapRate garantem rentabilidades ainda interessantes com risco menor que as outras oportunidades citadas.

 

Você investiria em uma fintech? Acha que a renda fixa morreu?

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os Autores

César Esperandio: economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

Yolanda Fordelone: economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

Sobre o Blog

O Econoweek é um blog escrito por dois economistas que querem traduzir a economia, as finanças e o dinheiro.

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