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Seu reajuste salarial foi ruim? Conheça 2 técnicas para driblar a inflação

César Esperandio

31/01/2020 04h00

Em janeiro de 2020, o governo resolveu rever o valor do salário mínimo e o aumentou para R$ 1.045 e isso gerou uma grande polêmica.

Qual deveria ser o valor justo para o salário mínimo? Ele deveria ser maior?

Mesmo se você não recebe o salário mínimo, todo esse debate nos ensina duas grandes lições para as finanças: devemos olhar sempre a alta dos preços e fica de olho nos gastos de maneira agregada.

Hoje, a economista do EconoweekYolanda Fordelone, conta como planejar melhor seus gastos com base nas lições que o reajuste do salário mínimo dos deu, para ter a inflação trabalhando a seu favor.

 

Da última vez que conversamos por aqui, falamos sobre a regra 1-3-6-9, que mostra se, de acordo com a sua idade, você já investiu o suficiente ou se precisa aumentar o ritmo de investimentos para chegar lá. Vale a pena o clique!

 

O salário mínimo brasileiro, que em 2019 era R$ 998, recentemente foi reajustado para R$ 1.039, o que gerou um grande debate se o aumento teria ficado abaixo da inflação.

Depois de muita discussão, o governo decidiu reajustá-lo para R$ 1.045, acima do reajuste anterior de R$ 1039.

São apenas R$ 6 a mais. E muitos reclamam que é muito pouco diante dos altos preços dos produtos, como a carne, que sofreu forte alta em 2019.

Por outro lado, para o governo, esse aumento representa um impacto nos gastos públicos de R$ 2,13 bilhões a mais por conta dos benefícios da previdência social.

Mesmo que você não seja aposentado, nem beneficiário do INSS, ou não tenha renda vinculada ao salário mínimo, podemos tirar grandes lições dessa discussão. Vamos a elas:

 

1. É importante acompanhar a alta dos preços

O salário mínimo foi reajustado em função inflação. Ou seja, subiu ao menos o equivalente ao que os preços dos produtos e serviços no Brasil aumentaram em média em 2019. Atualmente, a inflação anda baixa para o histórico brasileiro, encerrando o ano de 2019 em 4,31%, mas não se esqueça que os rendimentos da poupança ficaram abaixo da inflação no ano passado.

Com tudo isso, esse debate sobre o salário mínimo e a preocupação em reajustá-lo seguindo pelo menos a inflação, nos mostra que olhar os preços no longo prazo é importante.

Se for fazer compras no futuro, como uma viagem, ou contratar serviços de longo prazo, como um aluguel, sempre se planeje considerando que os preços podem (e deverão) subir.

A dica da economista do EconoweekYolanda Fordelone, é acompanhar as previsões para a inflação no ano. Toda segunda-feira, é divulgado o Boletim Focus do Banco Central com as projeções para diversos indicadores, inclusive para o IPCA, o índice oficial de inflação no Brasil.

 

2. Faça a conta para 12 meses

Comentamos que os R$ 6 a mais do salário mínimo tinham um peso de mais de R$ 2 bilhões nas contas públicas. Para os nossos gastos do dia a dia também vale a pena pensar no todo.

A gente só imagina o longo prazo quando falamos de investimento: "se eu investir R$ 1 mil por mês, terei meus R$ 15 mil no fim do ano, dependendo da taxa de juros", ou então, "aplicando R$ 5 mil por mês, será que consigo juntar R$ 1 milhão em dez anos?".

Pensar no longo prazo também vale para os gastos.

Um gasto diário, durante a semana, com um lanchinho da tarde de R$ 5, representa uma soma mais de 260 vezes maior que o valor unitário em um ano, sem considerar a inflação, e mais de 3.000 vezes maior em dez anos, considerando uma inflação de 4% ao ano.

Nesse exemplo, mais de R$ 1.300 são gastos em lanchinhos da tarde em um ano, e mais de R$ 16.000 em dez anos, nos mesmos parâmetros.

Um gasto mensal, como uma assinatura de R$ 50, representa uma soma de 12 vezes o valor inicial em um ano, desconsiderando a inflação, e mais de 100 vezes maior em dez anos, ultrapassando a casa dos R$ 6.000, considerando a mesma taxa de inflação.

Agora, se o seu ajuste salarial foi insuficiente e ficou abaixo da inflação, fazer os cálculos acima se tornam ainda mais importante.

Nessa linha, temos um conteúdo por exemplo em que contamos quatro técnicas para conseguir salários mais altos, seja no seu emprego atual ou em um novo local de trabalho.

 

Opinião

O que eu, Yolanda Fordelone, acho de pensar no longo prazo em relação aos gastos? Essa tática não significa que nunca mais você deva comer um pão de queijo a tarde, mas deveria começar a pensar além do valor de uma compra rotineira feita durante anos. Pense no todo. Com isso, você perceberá que consegue cortar algumas coisas sem sofrer tanto assim, ou pelo menos reduzir a frequência de gastos.

Quer saber algumas coisas que eu consegui cortar ou reduzir pensando dessa maneira? Almoços em restaurantes durante a semana, assinaturas de revistas, o carro e o gasto diário com gasolina, além do uso excessivo do Uber.

Tudo isso fez uma grande diferença no meu orçamento anual, permitindo que eu aumentasse o volume de investimentos.

Falando nisso, aqui vão quatro dicas práticas para economizar e investir mais e melhor em 2020.

 

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os Autores

César Esperandio: economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

Yolanda Fordelone: economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

Sobre o Blog

O Econoweek é um blog escrito por dois economistas que querem traduzir a economia, as finanças e o dinheiro.

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