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Método 50-30-20, para passar de devedor a investidor

César

08/10/2019 04h00

Todo mundo que quer cortar despesas cai no mesmo dilema: por onde começar? Hoje, o Econoweek vai te explicar um dos métodos mais práticos para organizar a sua vida financeira, quitar os créditos tomados, se for o caso, e passar a investir, chegando mais perto de alcançar seus sonhos e objetivos: a regra 50-30-20. Tudo isso porque você vai ganhar visibilidade de como anda gastando o dinheiro e, assim, aprender a diminuir gastos de maneira mais eficiente.

 

Objetivo

Antes de explicar como essa regra funciona, vamos falar para o que ela serve.

O objetivo desse método é fazer você, depois de sair das dívidas (se for o caso), construir um patrimônio para ter sua reserva de liquidez (ou de emergência, como se costuma chamar), alcançar seus sonhos, ter uma reserva para a aposentadoria e (por que não?) atingir a independência financeira.

 

O que é?

A regra 50-30-20 é bastante intuitiva porque divide muito claramente o que você vai fazer com o dinheiro que ganhar todo mês.

Se você tem mais de uma fonte de receita (salário, aluguel, clientes diferentes, freelas, entre outros), não importa: some tudo e gaste a totalidade no 50-30-20, na qual:

  • 50%: gastos necessários;
  • 30%: gastos com desejos ou com aquilo que você quer ou gosta;
  • 20%: prioridades financeiras.

Por exemplo, se você ganha R$ 1.000 por mês, R$ 500 irão para os gastos necessários, R$ 300 para os gastos menos importantes e R$ 200 para as suas prioridades financeiras.

 

Importante: usar salário líquido para essa conta

Se você for CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), é para fazer a conta com o salário depois do desconto do Imposto de Renda. Não faça o cálculo com o valor que está registrado na sua carteira de trabalho, mas sim com o que de fato recebe em sua conta.

Se você é um profissional autônomo, a lógica é a mesma: é para levar em conta as suas receitas já descontados os impostos de cada nota fiscal emitida e outros encargos que você tiver.

 

O que botar dentro do 50/30/20?

50%: gastos necessários

Aqui vai tudo o que você realmente precisa para viver; tudo o que é indispensável.

Supermercado, aluguel ou parcela do financiamento do imóvel, contas de água, luz e por aí vai.

Definição: uma boa maneira de definir o que entra nessa conta é respondendo se você não pode viver sem isso ou se vai causar um grande transtorno viver sem este item. Se a resposta for sim, inclua nos 50%.

 

30%: gastos menos importantes

Definição: são coisas que você deseja ou gosta de consumir, mas que pode viver sem esses itens sem grandes transtornos.

Alguns exemplos são: Netflix, jantar fora, comprar uma peça de roupa ou sapato a mais, jogos, maquiagem, etc.

Importante: nenhum desses exemplos são coisas de que precisamos para viver porque não vamos morrer se não as tivermos, mas é crucial reservar uma parcela de gastos para isso, já que é daí que vem a graça de viver.

 

20%: prioridades financeiras

Aqui entrará a construção das suas reservas para alcançar seus sonhos e objetivos.

Exemplo: a primeira reserva a ser construída é a reserva de liquidez/emergência, cuja regra de bolso diz para montar um investimento entre seis e 12 meses do seu gasto médio mensal. Se você gasta R$ 1.000 por mês, é bom ter entre R$ 6.000 e R$ 12 mil.

Essa reserva é útil por vários motivos, mas um dos mais importantes é que, se você perder o emprego, terá até um ano para arrumar outro, sem pressa, mantendo o mesmo padrão de vida.

Existem investimentos específicos para esse tipo de reserva, e isso é muito importante. Se você quiser saber sobre onde investir para a reserva de emergência, deixe um comentário, que voltaremos a falar sobre isso.

Depois de construir essa reserva, há outras reservas e investimentos que devem ser feitos para outros sonhos de médio e longo prazos, como uma viagem, o casamento, intercâmbio, abrir o seu negócio, aposentadoria, etc.

Não importa qual seja o seu sonho, começar a construir uma reserva, investir para potencializar o crescimento desse dinheiro e chegar mais rápido lá vai transformar o seu sonho em um objetivo. Isso tem um efeito incrível na nossa cabeça. Acredite!

Dívidas, contas a pagar e crédito tomado entram nesses 20%

Se você tem que resolver isso, resolva antes de investir.

Normalmente, os juros de empréstimos são muito maiores que os juros de qualquer investimento. Então, foque todos os 20% nisso (ou até mais) antes de começar a investir e a formar as suas reservas.

 

Por que a regra 50-30-20 é legal?

Ele é um método que:

  • Dispensa a necessidade de classificar os gastos em diversos grupos, como refeição, supermercado, moradia, lazer, escola, saúde, etc. São só três classificações. Mas se quiser fazer as duas classificações ao mesmo tempo, melhor ainda.
  • É flexível: só você sabe o que é realmente necessário ou menos importante para você. Fique à vontade para fazer a sua classificação, mas não cometa o autoengano, dando margem para jogar tudo nos 50% necessários. De qualquer maneira, os 20% de economia terão que ser cumpridos.
  • Dá a você uma clareza do quanto você gasta com o que é mais ou menos importante, sendo uma ótima oportunidade para repensar os gastos, ajudando a começar a economizar e a investir para transformar seus sonhos em objetivos, e alcançá-los.

 

Mas 20% é muita coisa!

Pode ser, realmente. Principalmente se você ainda não economiza e não investe em nada.

Mas fique calmo, porque a regra 50-30-20 não é rígida. É apenas um parâmetro para você ver onde quer chegar.

E a mesma coisa vale para a reserva de emergência. Juntar 12 meses dos seus gastos mensais em um investimento parece muito distante? Fique tranquilo, que isso também é para ser construído aos poucos. Há várias oportunidades para acelerar essa construção: o 13º é uma delas.

 

Críticas à regra 50-30-20

Crítica 1 – Regra geral importada dos Estados Unidos

Não necessariamente essa regra vale para todos. Adapte-a à sua realidade para que a regra não fique leve demais. E se ela parecer pesada, comece mais brandamente e depois vai subindo a régua.

Da mesma forma, pode ser que você consiga investir mais. Se mora com seus pais, por exemplo, e não tem altas despesas, como aluguel, é possível economizar um porcentual maior.

Crítica 2 – A ordem dos fatores importa

Há uma adaptação dessa regra para 50-20-30, na qual os 20% das prioridades financeiras vêm antes dos 30% com gastos menos necessários.

Assim você faz o que realmente importa e "se paga primeiro", antes de gastar com outras coisas que não deixam de ser importantes, mas podem esperar.

Já ouviu falar do jargão "se pague primeiro"? É aconselhável já separar o dinheiro que irá investir ou pagar parcelas de crédito tomado antes de gastar com outras coisas.

Se deixar para o fim do mês para ver o quanto sobrou para investir, confie em mim, normalmente não sobra nada.

Se pagar antes é uma boa maneira de se reeducar. É como alimentação ou atividade física: caso deixe para ir à academia no tempo que sobra ou para começar a dieta mais para frente, quase ninguém começa.

 

César, você acha o método bom?

Sim, eu acho. Mas também acho que esses 20% de economia são muito pouco!

Ficou chocado? É só deixar um comentário, que eu posso explicar porque penso isso em uma próxima vez.

 

O que você achou da regra 50-30-20? Serviria para você?

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os Autores

Étore: mestre em economia, tem mais de uma década de experiência no mercado financeiro. Atua hoje como economista macroeconômico em um grande banco, e já passou por consultorias econômicas e pela Bolsa de Valores, além de dividir seu tempo com o Econoweek, onde cuida, principalmente, de Macroeconomia.

César: economista com ênfase em terapia financeira, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

Yolanda: economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

Sobre o Blog

O Econoweek é um blog escrito por três economistas que querem traduzir a economia.

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