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Investir na Bolsa é só para milionários? Está certo quem acha isso?

César

16/08/2019 04h00

Investir em ações é coisa somente para quem tem muito dinheiro? Para o influenciador digital Raiam Santos, sim. Em um vídeo, o youtuber afirmou que "investir na bolsa é furada" e que você só deveria fazer isso caso tenha mais de R$ 5 milhões. Mas será mesmo?

Nós, do canal  Econoweek, acreditamos que não. Pelo contrário, é importante investir sempre, mesmo que pequenas quantias. Afinal, são pouquíssimos brasileiros que têm patrimônio superior a R$ 5 milhões, não é?

É claro que a mensagem do Raiam Santos, um reconhecido profissional do marketing digital e autor de diversos livros, não foi simplesmente dizer que praticamente ninguém deveria investir. Na verdade, a mensagem dele é que é muito importante investir em outras opções, como conhecimento e experiência de vida.

Vamos às afirmações:

"A pessoa que tem menos de R$ 5 milhões na conta não deveria meter esse dinheiro na Bolsa"

Discordamos.

O Brasil tem 210 milhões de habitantes. Em 2017, havia aproximadamente 117 mil brasileiros com mais de R$ 1 milhão de patrimônio, o que representa menos de 0,1% da população. Então, apenas uma parcela ainda menor de 0,1% deveria investir? Temos certeza de que não. Todos deveriam investir.

"R$ 15 mil não vão fazer diferença nenhuma na sua vida"

Discordamos.

Ao citar um exemplo de um investimento único de R$ 100 mil, com juros de 15% ao ano, o investidor teria retorno de R$ 15 mil após um ano. Segundo Raiam Santos, isso não "muda a realidade de ninguém" e "não fará diferença em sua vida".

Em um país com os traços sociais do Brasil, R$ 15 mil, sem dúvida, fariam a diferença na vida de muitas pessoas.

Além disso, o exemplo citado não foi o melhor possível, pois não foi aplicado um princípio muito importante que grandes investidores seguem: investir com regularidade.

No canal do Econoweek no YouTube, fizemos um vídeo "brincando" com o gasto médio mensal de um fumante. Ao investir R$ 201 todo mês ao longo de 45 anos (dos 20 aos 65 anos), esse investidor teria um volume entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão em sua aposentadoria, aplicando apenas em títulos de renda fixa, considerados conservadores. Esse dinheiro traria muita tranquilidade nessa fase da vida e é um bom exemplo de como a regularidade nos investimentos funciona muito bem.

Um lembrete: Se você assistiu ao vídeo que citamos no parágrafo anterior, viu que mencionamos valores um pouco diferentes, pois, na data daquela gravação, a Selic era maior que a atual, e as projeções para o horizonte do exercício também eram mais altas.

"O melhor investimento do mundo é investir em você"

Concordamos.

Como o próprio Raiam Santos afirma, investir em conhecimento, por meio de cursos, novas experiências, leitura e em eventos importantes de seu interesse, é, sim, uma maneira de potencializar as suas habilidades e colher os frutos desses esforços no futuro. Gostamos disso, Raiam!

Conclusão

Ter dinheiro investido, formando uma reserva de liquidez, que garanta entre seis e 12 meses de gastos, dá a tranquilidade de não ter que aceitar desaforos do chefe; se for demitido, não precisa aceitar qualquer trabalho que não tenha a ver com o seu perfil, pois as contas continuarão sendo pagas, já que você reservou dinheiro para uma situação como essa.

E mesmo que nada de ruim aconteça, a pessoa prevenida que fez uma reserva financeira não terá aquela preocupação de nada poder dar errado, senão as contas não fecham.

Por fim, discordamos da afirmação de que apenas deveria investir quem tem muito dinheiro, mas concordamos que investir em conhecimento é a melhor saída. Por que não fazer os dois investimentos ao mesmo tempo? E, o melhor, investir em ativos financeiros e em conhecimento com regularidade.

E você? O que pensa disso?

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre os Autores

Étore: mestre em economia, tem mais de uma década de experiência no mercado financeiro. Atua hoje como economista macroeconômico em um grande banco, e já passou por consultorias econômicas e pela Bolsa de Valores, além de dividir seu tempo com o Econoweek, onde cuida, principalmente, de Macroeconomia.

César: economista com ênfase em terapia financeira, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

Yolanda: economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

Sobre o Blog

O Econoweek é um blog escrito por três economistas que querem traduzir a economia.